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Origem Histórica

Institucional

  • Publicado em 17/05/2019
  • Atualizado em 14/05/2026

Origem Histórica

Autor da Foto:

Confederação Nacional de Municípios

História do Município de Itaúba – MT

A cidade de Itaúba, localizada na região norte do estado do Mato Grosso, nas margens da BR-163, no km 907, nas coordenadas geográficas 11º3'42" de latitude sul e 55º16'38" de longitude oeste. Possui uma área total de 4521,790km², confronta-se com as seguintes cidades: Cláudia, Colíder, Nova Canaã do Norte, Nova Santa Helena, Sinop e Tabaporã. e pertence ao Bioma Amazônia (IBGE, 2010).

O município de Itaúba deve seu nome a uma árvore que se destacava na região durante o período de colonização. A Mezilaurus Itaúba, pertencente à família das lauráceas, não apenas inspirou o topônimo, mas também é valorizada por sua madeira de alta resistência, amplamente utilizada na construção civil. Esse elemento natural evidencia a forte relação entre a história do território e seus recursos ambientais, refletindo aspectos culturais e econômicos que marcaram o processo de ocupação da região (Itaúba, 2015).

Seu nome foi escolhido pelos pioneiros da cidade pela forte simbologia, já que, além de representar a riqueza natural da região, também representa o povo local que assim como a árvore é forte e resiliente. O município surgiu juntamente com a BR-163 (Cuiabá-Santarém), a colonização do território se iniciou no ano de 1973 com a chegada dos pioneiros irmãos Bedin, que vieram de Abelardo Luz, Santa Catarina, que tinham como objetivo de explorar madeiras e beneficiá-las para que posteriormente pudessem abrir áreas de pastagem. Encontraram em Itaúba, madeira suficiente para os ideais propostos e lençóis aquáticos como o Rio Teles Pires, Rio Renato e outros que colaborariam para o desenvolvimento da pecuária. Vale ressaltar que o senhor Hildo, Ivo e senhor Adelino Bedin foram os primeiros a chegar na região, porém, juntamente com eles vieram alguns colonizadores como: Erci Vicente do Santos, Getulio Galeli, Jorge Strapazzon, João Pelechati e outros. Eles laçaram a semente do núcleo de povoamento do que futuramente se tornaria o município de Itaúba (Itaúba, 2015).

Em busca de maior autonomia e organização administrativa, a localidade foi elevada à condição de distrito do município de Chapada dos Guimarães em 1977. Posteriormente, em 1979, com a criação do município de Colíder, passou a integrar um de seus distritos, mantendo-se nessa situação até o início de 1986. Nesse ano, a localidade foi emancipada à categoria de município por meio da Lei Estadual nº 5.005, de 13 de maio de 1986, consolidando sua independência administrativa (Itaúba, 2015)

Conforme os dados do IBGE (2022), o município possuía uma população estimada em 5.020 habitantes, cerca de 1,11 habitantes por quilômetro quadrado. Anteriormente Itaúba possuía uma população estimada em 8.565 IBGE (2000), porém, devido a Nova Santa Helena passar a ser considerada um município também, e Itaúba estar passando por uma por uma crise no setor madeireiro, grande parte da população resolveu deixar o município. Nesta época diversas industrias madeireiras foram fechadas devido a rigorosa fiscalização dos órgãos do governo, que visavam o combate ao desmatamento ilegal que colocava em risco o progresso sustentável da região amazônica. Em 2004 foi lançado o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal – PPCDAm (Ferreira, 2018).

Em Itaúba funcionavam diversas madeireiras, que com o tempo precisaram se adequar às novas leis ambientais. Muitas, no entanto, não conseguiram cumprir as exigências e acabaram fechando as portas, o que gerou uma forte crise no setor madeireiro do município. Essa atividade acabou ficando mais restrita aos empresários que conseguiram se adaptar ao manejo sustentável estabelecido pela nova legislação. Com a crise, Itaúba reduziu consideravelmente a exploração madeireira, embora ainda mantenha cerca de 59,6% de seu território coberto por matas nativas (Ferreira, 2018).

Em 2009 foi sancionada a lei estadual 9.152 tornando o município de Itaúba a Capital Estadual da castanha do Brasil (MATO GROSSO, 2009). Pessoas e viajantes que passam pela BR-163 no limite do perímetro urbano do munícipio se deparam com vários pontos de comercialização de diversas mercadorias, mas principalmente a castanha, que por muitos anos ainda é a principal fonte de renda de muitos munícipes (Ferreira, 2018).

Atualmente, a economia do município está ligada principalmente ao setor madeireiro e a atividades de pecuária e agricultura, principalmente ao plantio de soja, milho e arroz. Itaúba possui extensas áreas para que o plantio desses commodities aconteçam, colaborando para o aumento dessas atividades agrícolas (Ferreira, 2018). A BR-163 tem influência direta com esse crescimento de atividades agropecuárias, pois facilita o escoamento da produção e chegada de insumos, o que torna o transporte mais acessível e rápido. Com isso os produtores locais passaram a investir mais em terras e maquinários, transformando a paisagem rural e intensificando o uso do solo. Na figura a seguir mostra o mapa do município de Itaúba, destacando a distribuição das áreas conforme os aspectos citados anteriormente, como cobertura vegetal, atividades agropecuárias e áreas destinadas ao cultivo agrícola.

A maior parte do território ainda é coberta por florestas (cerca de 59,6%), mas há uma grande presença da agropecuária (36%), que ocupa extensas áreas ao redor das zonas habitadas. As manchas de vegetação herbácea e arbustiva aparecem em menor quantidade, geralmente próximas às áreas abertas. Já as regiões de água e ambiente marinho (3,3%) se concentram próximas aos rios e represas, servindo de limite natural entre as áreas de floresta e as atividades humanas. Isso mostra uma convivência entre o uso do solo para produção e a preservação ambiental, mas também indica uma pressão crescente sobre as áreas florestais.

Itaúba reflete, por muitas vezes, o mesmo processo vivido por outras cidades do norte mato-grossense, que cresceram a partir da abertura da rodovia e da expansão da fronteira agrícola. A BR-163, portanto, não apenas conecta regiões, mas também simboliza a forma como o desenvolvimento econômico foi construído nessa parte do estado, baseado no transporte, na produção e na exploração dos recursos naturais.

 

O eixo viário da BR-163 passou a ser o ponto de referência principal para o crescimento urbano de Itaúba. As primeiras ruas, casas e comércios foram implantados próximos à estrada, o que criou uma forma linear de ocupação. Esse padrão é visível até hoje, com a avenida principal da cidade acompanhando o traçado da BR.

Além de estruturar o espaço urbano, a rodovia também foi responsável por dinamizar a economia local. O transporte de madeira, grãos e gado se tornou mais rápido e acessível, o que atraiu investidores e empresas do setor madeireiro. Nos anos seguintes, isso levou à instalação de serrarias e ao aumento do fluxo de caminhões e trabalhadores na região.

 

A grande produção de alimentos (agricultura intensiva) que é comum no Mato Grosso está aumentando na cidade de Itaúba. Segundo dados do IBGE (2017) o número de terras com pasto bom para o gado está diminuindo em Itaúba, segundo dados de 2017. Em 2006, havia mais de 90 mil hectares de pasto bom. Em 2017, esse número caiu para cerca de 67 mil hectares. Essa perda de pasto acontece porque a terra está sendo trocada pela plantação de um único tipo de produto, principalmente soja e milho, que são muito cultivados na região.

A análise da BR-163 como eixo estruturador do território permite compreender como essa infraestrutura influenciou diretamente a formação e a organização do

espaço urbano de Itaúba. O processo de ocupação e estruturação do espaço urbano em Itaúba está inserido em uma dinâmica territorial mais ampla de transformação da Amazônia.

A estrutura urbana de Itaúba foi moldada diretamente pela presença da BR-163 e pelas atividades econômicas que se consolidaram ao seu redor. O processo de ocupação começou de forma simples, com pequenas áreas residenciais, comércios e serviços básicos próximos à rodovia. Com o tempo, a cidade foi se expandindo, surgindo novos bairros e equipamentos públicos que deram forma ao espaço urbano atual.

A organização da cidade seguia um padrão linear e concentrado. O centro urbano se formou nas imediações da BR-163, onde ficavam a maioria dos comércios e equipamento públicos. Ainda nos dias atuais, a maior parte dos comércios, instituições financeiras e alguns órgãos públicos como hospital, assistência social, posto de saúde, correios e escolas se concentram no bairro denominado “Centro” que foi o primeiro a ser fundado. A partir desse núcleo central, a expansão aconteceu gradualmente, principalmente para as áreas mais planas e acessíveis.

O crescimento urbano de Itaúba acompanhou as transformações econômicas da região. Nas primeiras décadas, a expansão estava ligada à atividade madeireira, que atraiu trabalhadores e empresas. Posteriormente, com o avanço da agricultura mecanizada e da pecuária, a cidade passou a se expandir de forma mais lenta, mas mantendo seu caráter linear.

De acordo com Alves e Rezende (2024, p. 6), as cidades pequenas podem atuar como polos regionais, mesmo quando possuem estrutura limitada, exercendo influência sobre as áreas rurais e sobre municípios vizinhos. Itaúba cumpre esse papel, funcionando como ponto de abastecimento, circulação e apoio às comunidades próximas, o que reforça seu caráter de centralidade local.

Apesar das limitações estruturais, Itaúba apresenta potencialidades importantes, como a localização estratégica e a disponibilidade de terras. As cidades pequenas, mesmo com recursos limitados, podem desempenhar um papel relevante no equilíbrio territorial quando articuladas em redes locais de produção. Nesse contexto, tais cidades atuam como "campos de forças" que atraem e estimulam o crescimento das regiões circunvizinhas, refletindo a Teoria dos Polos de Crescimento reinterpretada para o contexto das pequenas centralidades. Itaúba cumpre esse papel, funcionando como ponto de abastecimento, circulação e apoio às comunidades próximas, o que reforça seu caráter de centralidade local.

No caso de Itaúba, a consolidação de atividades ligadas ao comércio e ao beneficiamento de produtos agrícolas pode representar caminhos sustentáveis para diversificar a economia e reduzir a dependência das grandes lavouras. O desafio é planejar o crescimento urbano de forma integrada, conciliando o uso racional do solo com a preservação ambiental, em sintonia com o papel da BR-163 como eixo de desenvolvimento.

Em suma, a estrutura urbana e a dinâmica de ocupação do espaço em Itaúba são o resultado direto de sua inserção na fronteira de expansão amazônica, tendo a BR-163 como seu eixo estruturador primordial. A rodovia não apenas deu origem ao núcleo urbano, mas também consolidou sua morfologia linear e concentrada, com o bairro Centro mantendo-se como o polo vital de serviços, comércio e equipamentos públicos. Impulsionada inicialmente pela extração madeireira e, posteriormente, pela consolidação do agronegócio, Itaúba firmou-se como um importante núcleo de apoio logístico e de centralidade local para as comunidades circunvizinhas. O desafio futuro reside em planejar a expansão urbana de forma integrada, superando a carência de infraestrutura nas áreas periféricas e buscando conciliar a necessária diversificação econômica (focada em comércio e beneficiamento) com a preservação ambiental, garantindo um desenvolvimento territorial mais sustentável e menos dependente das flutuações do ciclo produtivo dominante.

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